Investigamos a infertilidade por meio de um caminho claro e acolhedor baseado em ciência. Tudo começa com a escuta cuidadosa da sua história para criarmos uma avaliação personalizada. Traduzimos cada descoberta com total transparência. Assim, conectamos os resultados a um plano de ação claro, para você saber exatamente onde está e qual o melhor caminho a seguir com segurança.
A fertilidade da mulher depende de muitos fatores funcionando em harmonia. Quando algo foge do equilíbrio — seja no funcionamento dos ovários, nas trompas, no útero ou nos hormônios— engravidar pode se tornar mais difícil.
A ovulação é o momento em que o óvulo é liberado pelos ovários. Quando isso não acontece — condição chamada de anovulação — a gravidez não é possível. Esse problema pode ser causado por:
Tanto o hipotireoidismo (quando a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente) quanto o hipertireoidismo (produção em excesso) podem prejudicar o ciclo menstrual e dificultar a ovulação. Essas disfunções são comuns em mulheres e, felizmente, na maioria das vezes têm tratamento simples e eficaz.
As trompas de Falópio são essenciais para a fecundação, pois é nelas que o óvulo encontra o espermatozoide. Quando estão obstruídas ou danificadas, esse encontro não acontece. A obstrução pode ocorrer por:
• Infecções ginecológicas, como clamídia ou gonorreia
• Gravidez ectópica anterior
• Endometriose
• Cirurgias abdominais
• Condições congênitas
A endometriose é uma doença inflamatória crônica, estrogênio-dependente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio (que normalmente reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina. As lesões costumam se alojar na pelve (ovários, trompas, peritônio), mas podem atingir outros órgãos, como intestino, bexiga e diafragma, em raras vezes até os pulmões.
A condição é classificada em três subtipos principais: superficial (peritoneal), ovariana (endometriomas) e profunda (lesões > 5mm). A intensidade dos sintomas varia, mas é possível controlar a doença com medicamentos, cirurgia ou utilizar técnicas de reprodução assistida para preservação da fertilidade ou quando a gestação não acontece.
O útero também pode apresentar problemas que dificultam a implantação do embrião. Entre eles:
• Miomas e pólipos, que ocupam espaço na cavidade uterina
• Sinequias, que são cicatrizes internas
• Malformações congênitas, como o útero bicorno, didelfo ou com septo, que podem dificultar a gestação ou aumentar o risco de aborto.
A adenomiose se caracteriza pelo crescimento anormal do endométrio dentro da camada muscular do útero, causando inflamação e aumento uterino. Embora seja assintomática em muitas mulheres, em outras pode gerar fortes cólicas, sangramento intenso, dor no ato sexual e pressão pélvica.
A adenomiose não impossibilita totalmente a gestação natural, porém tem impacto negativo comprovado na fertilidade feminina e está ligada a um risco maior de abortos espontâneos e à redução das taxas de gravidez clínica.
Quando uma mulher sofre duas ou mais perdas gestacionais consecutivas, é importante investigar possíveis causas, que podem incluir:
• Alterações genéticas em um dos parceiros
• Problemas na formação do útero
• Desequilíbrios hormonais
• Doenças autoimunes
• Infecções ou trombofilias (tendência a formar coágulos). Em cerca de 50% dos casos, infelizmente, a causa não é identificada — mas mesmo nesses casos, há tratamentos que podem ajudar.
Em até 10% das mulheres, todos os exames parecem normais, mas a gravidez não acontece. Nesses casos, falamos em infertilidade ou esterilidade sem causa aparente – ISCA ou ESCA. Estudos recentes sugerem que fatores como alterações imunológicas, intolerâncias alimentares (como ao glúten ou à lactose) e mesmo outros desequilíbrios sutis possam estar envolvidos. Mesmo sem um diagnóstico claro há opções de tratamentos como uso de medicamentos, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro que podem trazer bons resultados.
A fertilidade não depende apenas da mulher. Em cerca de 40% dos casos, a dificuldade para engravidar está relacionada a fatores masculinos. Por isso, é fundamental que o homem também realize uma avaliação médica especializada, principalmente se o casal já está tentando engravidar há algum tempo sem sucesso.
Na maioria das vezes, os problemas de infertilidade masculina estão relacionados à qualidade e quantidade dos espermatozoides. Essa avaliação começa com um exame simples e indolor: o espermograma.
O desequilíbrio entre hormônios, como a testosterona e as gonadotrofinas, pode interferir diretamente na produção dos espermatozoides. Embora o tratamento hormonal seja indicado em poucos casos, técnicas como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI) e outras podem ajudar casais a alcançar a gravidez mesmo diante de alterações significativas.
A análise do sêmen permite identificar diferentes alterações que podem afetar a chance de fecundação natural, dentre as mais comuns estão:
Ausência total de espermatozoides no sêmen. Pode ocorrer por falha na produção nos testículos ou por obstruções nos canais que transportam os espermatozoides.
Caracteriza-se por uma baixa concentração de espermatozoides no sêmen. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o diagnóstico é confirmado quando a contagem é inferior a 15 milhões de espermatozoides por mililitro de fluido ejaculado.
Quando os espermatozoides apresentam uma baixa motilidade, ou seja, dificuldade de locomoção. Como precisam nadar até as trompas uterinas para fecundar o óvulo, a falta de movimento adequado é uma das principais causas de infertilidade nos homens.
Alteração seminal na qual uma alta porcentagem dos espermatozoides apresenta anomalias no formato ou estrutura podendo ser na cabeça, peça intermediária ou cauda. Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o diagnóstico é confirmado quando menos de 4% dos espermatozoides possuem formato perfeitamente normal. A condição pode prejudicar a fecundação.
A necrozoospermia é uma condição rara e atinge cerca de 0,5% dos homens. Caracteriza-se pela presença de uma alta taxa de espermatozoides mortos ou imóveis no sêmen. No exame, é definida quando mais de 50% dos gametas masculinos estão mortos, dificultando alcançar a gravidez de forma natural.
A hipospermia é quando o volume de sêmen liberado durante a ejaculação é abaixo do normal esperado. Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um volume inferior a 1,5 ml, a hipospermia não deve ser confundida com a oligospermia (baixa contagem de espermatozoides).
Algumas condições físicas interferem na produção ou na liberação dos espermatozoides. Entre elas:
Varizes nos testículos que prejudicam a produção e qualidade do sêmen.
Bloqueios nos canais que conduzem os espermatozoides, como após infecções ou vasectomia.
Testículos que não desceram corretamente durante a infância.
Acúmulo de líquido ao redor dos testículos.
Quando o sêmen vai para a bexiga em vez de ser expelido.
Algumas dessas alterações podem ser corrigidas com cirurgia ou contornadas com técnicas de reprodução assistida.
Algumas infecções, especialmente se não tratadas, podem comprometer os testículos. A caxumba, por exemplo, pode afetar a produção de espermatozoides se atingir essa região.
Condições como diabetes, fibrose cística e febres prolongadas também podem impactar a fertilidade.
Quimioterapia, radioterapia e outros medicamentos podem afetar de forma temporária ou permanente a produção de espermatozoides. Nestes casos, recomenda-se o congelamento de sêmen antes do início do tratamento.
Alterações cromossômicas podem impactar a fertilidade. Quando detectadas, o aconselhamento genético é recomendado.
Embora o impacto da idade seja maior na fertilidade feminina, sabe-se que a qualidade dos espermatozoides também pode diminuir com o passar dos anos.
Em muitos casos, essas alterações podem aparecer juntas e têm causas diversas.
A boa notícia é que existem soluções para grande parte dessas situações. Com avaliação adequada, testes específicos e tratamento individualizado, muitos homens podem sim ter filhos, mesmo diante de desafios.