Engravidar pode parecer algo natural e simples, mas a realidade é que, mesmo entre casais saudáveis, as chances de gravidez a cada ciclo menstrual variam entre 15% e 20%. Para muitos, o sonho de ter um bebê acaba se tornando uma jornada mais longa e desafiadora.
Estima-se que 1 em cada 6 casais tenha dificuldade para engravidar. E, quando a mulher tem mais de 39 anos, esse número pode ultrapassar 50%. A infertilidade pode ter origem tanto no organismo feminino quanto no masculino: em cerca de 40% dos casos, as causas são femininas; em outros 40%, masculinas; e os 20% restantes envolvem fatores de ambos.
A boa notícia é que, com os avanços da medicina reprodutiva, a grande maioria das pessoas que enfrentam esse desafio pode sim realizar o sonho de ter um filho. O primeiro passo é buscar ajuda especializada.
Na ProSer, realizamos uma avaliação completa da fertilidade, com exames e testes individualizados, sempre com um olhar atento à história e às necessidades de cada paciente. Esse diagnóstico é essencial para traçar um plano de tratamento eficaz, com mais agilidade e assertividade.
A fertilidade da mulher depende de muitos fatores funcionando em harmonia. Quando algo foge do equilíbrio — seja no funcionamento dos ovários, nas trompas, no útero ou nos hormônios— engravidar pode se tornar mais difícil.
A ovulação é o momento em que o óvulo é liberado pelos ovários. Quando isso não acontece — condição chamada de anovulação — a gravidez não é possível. Esse problema pode ser causado por:

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma condição comum que afeta a liberação regular dos óvulos e pode causar ciclos menstruais irregulares, acne, aumento de pelos e dificuldade para engravidar.

Alterações hormonais, como níveis elevados de prolactina (hiperprolactinemia) ou distúrbios da tireoide, que interferem diretamente na ovulação.

Estilo de vida, como perda ou ganho de peso acentuado, excesso de exercícios físicos, estresse extremo ou distúrbios alimentares.

Falência ovariana prematura, também conhecida como menopausa precoce, que ocorre quando os ovários param de funcionar antes dos 40 anos, muitas vezes por causas genéticas, tratamentos contra o câncer, doenças autoimunes ou sem causa conhecida.
Tanto o hipotireoidismo (quando a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente) quanto o hipertireoidismo (produção em excesso) podem prejudicar o ciclo menstrual e dificultar a ovulação. Essas disfunções são comuns em mulheres e, felizmente, na maioria das vezes têm tratamento simples e eficaz.
As trompas de Falópio são essenciais para a fecundação, pois é nelas que o óvulo encontra o espermatozoide. Quando estão obstruídas ou danificadas, esse encontro não acontece. A obstrução pode ocorrer por:
• Infecções ginecológicas, como clamídia ou gonorreia
• Gravidez ectópica anterior
• Endometriose
• Cirurgias abdominais
• Condições congênitas
A endometriose é uma condição em que o tecido que reveste o útero cresce fora dele, afetando ovários, trompas ou outros órgãos. Isso pode causar inflamações, aderências e até o bloqueio das trompas, dificultando a fecundação. A intensidade dos sintomas varia, mas é possível controlar a doença com medicamentos, cirurgia ou técnicas de reprodução assistida.
O útero também pode apresentar problemas que dificultam a implantação do embrião. Entre eles:
• Miomas e pólipos, que ocupam espaço na cavidade uterina
• Sinequias, que são cicatrizes internas
• Malformações congênitas, como o útero bicorno, didelfo ou com septo, que podem dificultar a gestação ou aumentar o risco de aborto.
Quando uma mulher sofre duas ou mais perdas gestacionais consecutivas, é importante investigar possíveis causas, que podem incluir:
• Alterações genéticas em um dos parceiros
• Problemas na formação do útero
• Desequilíbrios hormonais
• Doenças autoimunes
• Infecções ou trombofilias (tendência a formar coágulos)
Em cerca de 50% dos casos, infelizmente, a causa não é identificada — mas mesmo nesses casos, há tratamentos que podem ajudar.
Em até 10% das mulheres, todos os exames parecem normais, mas a gravidez ainda não acontece. Nesses casos, falamos em infertilidade sem causa aparente. Estudos mais recentes sugerem que fatores como alterações imunológicas, intolerâncias alimentares (como ao glúten ou à lactose), ou outros desequilíbrios sutis podem estar envolvidos. Mesmo sem um diagnóstico claro, há opções de tratamento, como uso de medicamentos, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro, que podem trazer bons resultados.
A fertilidade não depende apenas da mulher. Em cerca de 40% dos casos, a dificuldade para engravidar está relacionada a fatores masculinos. Por isso, é fundamental que o homem também realize uma avaliação médica especializada, especialmente se o casal já está tentando engravidar há algum tempo sem sucesso.
Na maioria das vezes, os problemas de fertilidade masculina estão relacionados à qualidade e quantidade dos espermatozoides. Essa avaliação começa com um exame simples e indolor: o espermograma.
O desequilíbrio entre hormônios como a testosterona e as gonadotrofinas pode interferir diretamente na produção dos espermatozoides. Embora o tratamento hormonal seja indicado em poucos casos, técnicas como a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides) podem ajudar casais a alcançar a gravidez mesmo diante de alterações significativas.
A análise do sêmen pode revelar diferentes alterações, que podem afetar a chance de fecundação natural:
Ausência total de espermatozoides no sêmen. Pode ocorrer por falha na produção nos testículos ou por obstruções nos canais que transportam os espermatozoides.
Baixa concentração de espermatozoides.
Espermatozoides com baixa mobilidade, dificultando que cheguem até o óvulo.
Alterações no formato (morfologia) dos espermatozoides, que podem prejudicar a fecundação.
Grande quantidade de espermatozoides não viáveis (mortos).
Volume de sêmen reduzido.
Em muitos casos, essas alterações podem aparecer juntas e têm causas diversas, como hormonais, genéticas, infecciosas ou estruturais.
Algumas condições físicas interferem na produção ou na liberação dos espermatozoides. Entre elas:
Varizes nos testículos que prejudicam a produção e qualidade do sêmen.
Bloqueios nos canais que conduzem os espermatozoides, como após infecções ou vasectomia.
Testículos que não desceram corretamente durante a infância.
Acúmulo de líquido ao redor dos testículos.
Quando o sêmen vai para a bexiga em vez de ser expelido.
Algumas dessas alterações podem ser corrigidas com cirurgia ou contornadas com técnicas de reprodução assistida.
Algumas infecções, especialmente se não tratadas, podem comprometer os testículos. A caxumba, por exemplo, pode afetar a produção de espermatozoides se atingir essa região.
Condições como diabetes, fibrose cística e febres prolongadas também podem impactar a fertilidade.
Quimioterapia, radioterapia e outros medicamentos podem afetar de forma temporária ou permanente a produção de espermatozoides. Nestes casos, recomenda-se o congelamento de sêmen antes do início do tratamento.
Alterações cromossômicas podem impactar a fertilidade. Quando detectadas, o aconselhamento genético é indicado.
Embora o impacto da idade seja maior na fertilidade feminina, sabe-se que a qualidade dos espermatozoides também pode diminuir com o passar dos anos.
A boa notícia é que existem soluções para grande parte dessas situações. Com avaliação adequada, testes específicos e tratamento individualizado, muitos homens podem sim tornar-se pais, mesmo diante de desafios.